Sábado, Dezembro 24, 2005

Percursos pedestres



Lembrança de um passeio num dos óptimos percursos pedestres marcados e mantidos pela CM Montalegre

Sexta-feira, Dezembro 23, 2005

Sustentabilidade no sector do Turismo

O concelho de Bragança localiza-se no extremo nordeste de Portugal Continental, fazendo fronteira com Espanha e com os concelhos de Vinhais, Macedo de Cavaleiros e Vimioso.
O concelho ocupa cerca de 1173 Km2, distribuídos por 49 freguesias, residindo, segundo a última operação censitária de 2001, 34689 habitantes.
A riqueza e diversidade paisagística do concelho de Bragança reflecte-se na percentagem de território abrangida por área protegida ou sítios classificados, registando 57 % da totalidade do território inserida no Parque Natural de Montesinho, Serra da Nogueira, Rio Sabor/Maças, Samil e Morais.

O turismo tem sido apontado, por diversos especialistas e interessados no desenvolvimento territorial, como o cluster potenciador do crescimento económico local e regional.

No entanto, o turismo, como qualquer actividade humana realizada de forma desordenada e intensiva, temporal e espacialmente, provoca danos irreparáveis e irreversíveis.

Assim, urge adoptar uma estratégia de turismo sustentável, baseada na combinação de princípios de conservação com o desenvolvimento do turismo. Esta estratégia deverá permitir o desenvolvimento sócio-económico das populações locais paralelamente à conservação dos valores naturais, arquitectónicos e culturais do território, sendo primordial em áreas abrangidas áreas protegidas ou sítios classificados.

Os objectivos deste turismo sustentável, segundo um estudo da Federation of Nature and National Parks of Europe, estão sistematizados em 3 categorias principais: ambientais, sociais e económicos. De forma sintetizada, estes objectivos passam pela conservação a longo prazo, consciencialização das comunidades locais e visitantes, melhoria das condições de vida das populações locais, transformar o turismo sustentável em parte integrante da cultura local e nacional, melhoria da economia local e nacional, oportunidades de emprego e negócio, etc..

A sustentabilidade do turismo deve ter em conta os princípios ecológicos inerentes à dinâmica funcional dos ecossistemas. Assim, deve-se contribuir para a valorização do ambiente e proporcionar um desenvolvimento económico através do estabelecimento de actividades associadas a segmentos especializados do mercado turístico. No entanto, as prioridades de conservação da natureza não devem estar “desligadas” dos objectivos de desenvolvimento económico e melhoria das condições de vida das comunidades locais.

A importância económica do turismo pode traduzir-se num apoio político, dando maior destaque a este sector ao nível do investimento na conservação e preservação da identidade territorial. Esta conservação pode ser benéfica em vários aspectos nomeadamente na restauração de edifícios tradicionais, preservação de tradições culturais, manutenção da diversidade e riqueza paisagística, o que, aliado a um trabalho de cooperação entre as comunidades locais e as entidades responsáveis pelo sector turístico, poderá ser desenvolvida uma estratégia de turismo sustentável.

Uma das maiores vantagens do turismo sustentável é a possibilidade de melhorar as condições de vida das comunidades locais. As tradições locais são revitalizadas e as populações locais beneficiam de melhores serviços locais e desfrutam das instalações construídas para os turistas.

Seguindo esta estratégia de implementação de um turismo sustentável, diversos produtos agrícolas da região, de alta qualidade, nomeadamente o vinho, castanha, carnes, enchidos, azeite, mel e a amêndoa, deverão ser alvo de iniciativas inovadoras no âmbito da promoção e comercialização dos mesmos. Neste sentido, a criação de uma imagem de marca/identidade do território, sinónimo de qualidade, permitiria desenvolver acções concertadas de promoção e divulgação, aproveitando as sinergias existentes.

O turismo pode suportar o desenvolvimento e manutenção dos transportes públicos, estradas, postos de saúde e outros serviços em áreas rurais que, de outra forma, seriam votadas ao esquecimento. O interesse dos turistas pode reanimar as tradições e artesanato locais.

A longo prazo, os custos financeiros de uma política baseada no turismo convencional, em vez do turismo sustentável, serão enormes enquanto que os custos ambientais serão ainda mais elevados.

Terça-feira, Dezembro 20, 2005

O Turismo e o Desenvolvimento Rural

Que Actores e Agentes Beneficiam Das Estratégias Nacionais e Comunitárias?

É de grande importância para a comunidade rural entender quem é que participa e quem é que beneficia com o fenómeno do TER. Se as comunidades de acolhimento deste fenómeno têm implicações directas, se participam e se simultaneamente retiram vantagens económicas, sociais e culturais do turismo, ou se pelo contrário quem promove o TER não tem qualquer ligação com as áreas rurais onde investe. Neste sentido, é importante perceber qual a função que assume o TER nas áreas onde é implementado.
Segundo Cavaco (1999a:299) os principais promotores do TER são habitualmente "elites locais", proprietários de habitações e terras agrícolas herdadas, que apresentam níveis sócio-económicos elevados, com um elevado grau de habilitações académicas e consequentemente com um bom nível cultural. Estão geralmente ligados a actividades do sector terciário, como empresários e profissionais liberais, geralmente residindo no local ou nos arredores. A grande maioria são reformados que regressam à terra natal e desejam rentabilizar as poupanças de uma vida de trabalho preservando "a casa que fora de pais e avós e a que os ligam muitos laços e recordações", que de outra forma teria sido abandonada. Proporciona-se a convivência com os visitantes, estes com nível sócio-cultural habitualmente elevado, fomentando o convívio e o não isolamento.

O Turismo Rural é habitualmente associado a um turismo de elevados padrões de conforto, induzindo a uma procura de qualidade, associada a uma classe social que está disposta a pagar por um serviço de excelência, "o mercado de turistas que procuram o campo correspondem essencialmente a clientes com altos níveis de instrução, em boa condição financeira, que exigem qualidade e que estão dispostos a pagar por ela" (OECD, 1994, cit in Kastenholz, 2002:48). Esta situação é fruto do sucesso de recuperação do património histórico e cultural, que só poderá ser protagonizado por estratos sociais com elevado poder económico (e.g. Joaquim, 1994).

É um facto que existem compensações que são fruto do investimento no TER, mas quem é que estará na realidade a beneficiar dessas vantagens? Segundo Moreira (cit in Joaquim, 1994:106) "os beneficiários actuais do TER, tanto no campo da procura como no da oferta, são aqueles que menos necessitam, à partida, dessas benesses. A inovação partiu do topo, veremos quando chegará à base. Para um punhado, aqueles que se situam perto das unidades de TER, alguns benefícios ainda haverá dos modestos efeitos induzidos, para a grande maioria de nós, resta-nos olhar para os prospectos e ir tentando perceber onde se esconde a sua função social".