Sexta-feira, Dezembro 23, 2005

Sustentabilidade no sector do Turismo

O concelho de Bragança localiza-se no extremo nordeste de Portugal Continental, fazendo fronteira com Espanha e com os concelhos de Vinhais, Macedo de Cavaleiros e Vimioso.
O concelho ocupa cerca de 1173 Km2, distribuídos por 49 freguesias, residindo, segundo a última operação censitária de 2001, 34689 habitantes.
A riqueza e diversidade paisagística do concelho de Bragança reflecte-se na percentagem de território abrangida por área protegida ou sítios classificados, registando 57 % da totalidade do território inserida no Parque Natural de Montesinho, Serra da Nogueira, Rio Sabor/Maças, Samil e Morais.

O turismo tem sido apontado, por diversos especialistas e interessados no desenvolvimento territorial, como o cluster potenciador do crescimento económico local e regional.

No entanto, o turismo, como qualquer actividade humana realizada de forma desordenada e intensiva, temporal e espacialmente, provoca danos irreparáveis e irreversíveis.

Assim, urge adoptar uma estratégia de turismo sustentável, baseada na combinação de princípios de conservação com o desenvolvimento do turismo. Esta estratégia deverá permitir o desenvolvimento sócio-económico das populações locais paralelamente à conservação dos valores naturais, arquitectónicos e culturais do território, sendo primordial em áreas abrangidas áreas protegidas ou sítios classificados.

Os objectivos deste turismo sustentável, segundo um estudo da Federation of Nature and National Parks of Europe, estão sistematizados em 3 categorias principais: ambientais, sociais e económicos. De forma sintetizada, estes objectivos passam pela conservação a longo prazo, consciencialização das comunidades locais e visitantes, melhoria das condições de vida das populações locais, transformar o turismo sustentável em parte integrante da cultura local e nacional, melhoria da economia local e nacional, oportunidades de emprego e negócio, etc..

A sustentabilidade do turismo deve ter em conta os princípios ecológicos inerentes à dinâmica funcional dos ecossistemas. Assim, deve-se contribuir para a valorização do ambiente e proporcionar um desenvolvimento económico através do estabelecimento de actividades associadas a segmentos especializados do mercado turístico. No entanto, as prioridades de conservação da natureza não devem estar “desligadas” dos objectivos de desenvolvimento económico e melhoria das condições de vida das comunidades locais.

A importância económica do turismo pode traduzir-se num apoio político, dando maior destaque a este sector ao nível do investimento na conservação e preservação da identidade territorial. Esta conservação pode ser benéfica em vários aspectos nomeadamente na restauração de edifícios tradicionais, preservação de tradições culturais, manutenção da diversidade e riqueza paisagística, o que, aliado a um trabalho de cooperação entre as comunidades locais e as entidades responsáveis pelo sector turístico, poderá ser desenvolvida uma estratégia de turismo sustentável.

Uma das maiores vantagens do turismo sustentável é a possibilidade de melhorar as condições de vida das comunidades locais. As tradições locais são revitalizadas e as populações locais beneficiam de melhores serviços locais e desfrutam das instalações construídas para os turistas.

Seguindo esta estratégia de implementação de um turismo sustentável, diversos produtos agrícolas da região, de alta qualidade, nomeadamente o vinho, castanha, carnes, enchidos, azeite, mel e a amêndoa, deverão ser alvo de iniciativas inovadoras no âmbito da promoção e comercialização dos mesmos. Neste sentido, a criação de uma imagem de marca/identidade do território, sinónimo de qualidade, permitiria desenvolver acções concertadas de promoção e divulgação, aproveitando as sinergias existentes.

O turismo pode suportar o desenvolvimento e manutenção dos transportes públicos, estradas, postos de saúde e outros serviços em áreas rurais que, de outra forma, seriam votadas ao esquecimento. O interesse dos turistas pode reanimar as tradições e artesanato locais.

A longo prazo, os custos financeiros de uma política baseada no turismo convencional, em vez do turismo sustentável, serão enormes enquanto que os custos ambientais serão ainda mais elevados.

6 comentários:

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